Eu sei que as bênçãos do lama fazem total diferença nos benefícios que eu irei receber ou gerar.
Portanto, eu rogo para que, através das bênçãos do lama, minha fé e devoção se misturem com a mente do lama, proporcionando que a realização do lama se manifeste em mim.
Eu desperto profunda compaixão por todos os seres, que, por se agarrar as aparências como verdadeiras e duráveis, sentem apego e aversão e continuam a plantar as sementes cármicas do sofrimento.
Mesmo a menor oportunidade para ajudar os outros irá criar incessante beneficio se realizada com pura motivação. Eu desperto sincera compaixão, que transcende um apego ao eu.
Eu mantenho os quatro pensamentos como a base para todo meu caminho espiritual e os meios para remover os obstáculos no caminho.
Ao invés de me apressar em adquirir os ensinamentos mais elevados, eu estabeleço as bases para seu surgimento como mente desperta pela contemplação dos quatro pensamentos: o precioso renascimento humano, a impermanência, o carma e o sofrimento.
Compreendendo a necessidade de reduzir as preocupações internas e externas, eu utilizo os conceitos da minha mente através da contemplação dos quatro pensamentos, que transformam minha mente comum, desviando minha mente do samsara e voltando a para o dharma.
Eu reconheço que meu precioso renascimento humano, com suas liberdades e condições de suporte, adquirido através de aspirações prévias e mérito, é muito difícil de encontrar.
O propósito dessa oportunidade é transformar a minha mente ocupada, removendo obstáculos e desenvolvendo qualidades puras através da prática.
Eu aproveito a total oportunidade do meu precioso renascimento humano sabendo que, sem um momento a desperdiçar, essa é uma enorme oportunidade para beneficiar os seres.
Eu não darei mais desculpas por não praticar e nunca deixarei passar uma oportunidade de praticar.
Eu pratico com diligência e alegria pois assim os obstáculos e até mesmo minha resistência a praticar são removidos.
Eu não rejeito os pensamentos como um meio para tramar um estado de mera quietude.
Ao invés disso, eu aquieto a tempestade de preocupações, emoções e conceitos da minha mente usando os estágios de desenvolvimento e consumação da meditação pois eles são métodos profundos para revelar a natureza búdica.
Portanto, eu não trato a vida de forma casual ou penso em alguma coisa como comum, mas ao invés disso pratico a visão pura.
Conseqüentemente, eu alcanço a contemplação do precioso renascimento humano, e assim deixo minha mente descansar.
Eu entendo que tudo é impermanente, que estabilidade é uma ilusão, e que os aspectos aparentemente sólidas não possuem nenhuma identidade inerente.
Portanto, eu não persigo fenômenos externos ou tento satisfazer o desejo, pois esses não produzem felicidade duradoura.
Eu também não busco evitar o sofrimento, o que é apenas um componente da confusão uma vez que não há nenhuma razão para rejeitar o fenômeno.
Não estando preocupada com apego e aversão minha mente não mais aparenta ser comum.
Desde que não há nada estável para se agarrar na realidade relativa eu reconheço a qualidade ilusória da experiência semelhante ao sonho.
A aparente coesão da vida surge como uma aparição transparente, inseparável da vacuidade.
Tendo cortado meu apego as condições do samsara, eu estou pronto para perder meu corpo, riqueza e relacionamentos.
Não mais limitado pela esperança e medo, perda e ganho, elogio e censura, prazer e dor, eu corto a ligação entre morte e renascimento e estou completamente pronto para a morte.
Conseqüentemente, eu alcanço a contemplação da impermanência, e assim deixo minha mente descansar.
Eu entendo que o carma é infalivel se não se fizer algo acerca dele - que os pensamentos e ações positivos criam felicidade e que suas contrapartidas negativas criam sofrimento.
Sendo a raiz do sofrimento minha própria mente, eu sinceramente entendo o propósito do dharma e sou inspirado a pratica-lo.
Eu não mais perpetuo o samsara reagindo ao sofrimento com aversão.
Eu não tento evitar o sofrimento dos outros, mas em vez disso desperto a compaixão.
Eu reconheço que os verdadeiros obstáculos à prática estão na minha própria mente.
Ao lidar com meu próprio sofrimento não mais tento evitá-lo, culpo outras pessoas ou busco escapar através de circunstâncias externas.
Sendo que as circunstância não causam meu sofrimento e não podem me prejudicar, eu as uso como suporte para minha própria prática.
Eu fico feliz quando o sofrimento surge, pois é uma oportunidade para purificar meu carma negativo.
Eu estou atento aos meus pensamentos e ações, tomando consciência honestamente dos meus defeitos e me responsabilizando por eles.
Eu reduzo a não virtude através da purificação e acumulo merito através da prática da virtude.
Purificando em níveis , eu reduzo meus erros e causo menos dano, tornando me mais generoso e útil, e portanto desenvolvendo estabilidade.
Eu não me detenho nas falhas e imperfeições alheias mas verifico as minhas próprias.
Sendo muito importante reconhecer e nutrir as qualidades dos outros, eu sempre apoio seu caminho espiritual.
Conseqüentemente, eu alcanço a contemplação do carma e do sofrimento, e assim deixo minha mente descansar.
Alternar entre comtemplação, descanso, compaixão e oração ao Lama, ajuda me a integrar os quatro pensamentos na minha vida.
Como essas contemplações transformam minha mente, eu permito que ela descanse, e abro mão de todas as minhas dúvidas.
Eu peço que meu fluxo mental se misture com o do Lama.
Praticando o que eu aprendi minha vida diária se torna mais imbuida com o espírito da prática.
Os quatro pensamentos tem tido um impacto tão profundo na minha mente que eles permeiam minha experiência.
Tendo estabilizado a visão da pureza original, eu percebo a natureza de toda a forma, som e pensamento como vazio.
Eu tenho me desviado do samsara e estou confiante que alcançarei a liberação.
Eu dedico o mérito da minha prática para todos os seres aprisionados no samsara.
Esse texto foi gentilmente cedido pela Venerável Bhikkuni Zamba Chozom.